Mudei

10 10UTC março 10UTC 2011

E o mundo mudou comigo.

Estou em Lisboa, estou aqui.

Um simplista na pista.

Tem tudo isso

8 08UTC dezembro 08UTC 2010

Eu, indo pra Lisboa. As vezes não acredito que isso está acontecendo. Mentira, acredito sim. Muitas coisas me fizeram chegar a esse ponto da minha vida para negar o fato de que  eu era uma pessoa de fora num mundo interior constante. Sou fascinado pela idéia de viajar, sempre fui. Quando eu tinha 7 anos minha mãe me botou num ônibus pra São Paulo sozinho. Calma, ela não estava me abandonando num banco de ônibus interestadual para se livrar de mim. Às vezes eu penso se ela não deveria ter feito exatamente isso. Não, não é essa a história.

Acontece que minha madrinha morava em SP e eu fazia um tratamento para minha rinite em SP. É incrível como nossos pais se preocupam com a nossa saúde, sabe quando que eu mandaria meu filho pra SP pra fazer tratamento de rinite? Somos de Ponta Grossa, Paraná. Teria sido muito mais fácil me mandar pra Curitiba. Fato é que minha madrinha estaria plantada na frente do portão de desembarque me esperando. Pensando nisso agora me pergunto: e se eu tivesse me perdido naquela ocasião? Será que eu ainda seria virgem (a). Brinks. E se eu nunca achasse minha madrinha e fosse achado pela Nazaré. Que perigon, que mãe inconseqüente eu tive. É claro que eu não lembro dessas coisas, mas essa história já foi tantas vezes repetida em churrascos de domingo que poderia ser escolhida para um Retrato Falado no fantástico ou algo assim.

Bem, minha madrinha Helena hoje tem mais de 60 anos e se orgulha muito disso.

- …tava  ali na fila do banco e um moço mais novo na minha frente! Eu chamei o segurança e disse: isso aqui é uma fila para idosos, você não vai fazer nada?

Naquela época ela era igualmente mais nova, uns 50 de certo. Tinha três filhos e um marido-filho. Dindo Carlos, Pati, Lúcia e Rodrigo, ou Luís, não lembro o nome do filho mais velho, nunca soube. Eu nunca soube de muitas coisas. Eu nunca soube que a Lúcia engravidou com 16 anos em plena década de 80. Eu nunca soube que a Pati tinha ido ao Rock in Rio e eu NUNCA SOUBE que meu dindo Carlos tinha parentes em Minas Gerais. Não me contavam nada porque eu era criança, só soube dos bafos muito tempo depois. Pensando bem foi muito bom só ter sabido algumas coisas com 14 anos, quando eu era um adolescente quase saindo do armário em 2003 eu era sedento por bafos. Tudo o que me ajudasse a não ter de lidar comigo mesmo era bem vindo ao pensamento. A única coisa que eu sabia sobre o filho de minha dinda Helena era que ele morava nos Estados Unidos. Eu achava digno. Muito tempo depois, lógico, eu soube que ele foi para lá porque era um semi delinqüente juvenil suburbano que criava problemas para  uma típica família de classe média paulistana. Como naquela época, anos 90, davam visto americano de 10 anos para qualquer um que fizesse assim o/ com a mãozinha, ele foi.

Lá muitas coisas que eu nunca soube devem ter acontecido com ele. O que eu sei é que ele fez um amigo que acabou ficando muito amigo do meu Dindo Carlos quando este foi visitá-lo. Me perdi. O John é um amigo do filho do meu Dindo Carlos que este conheceu quando foi visitar aquele no Colorado. Algo assim. Um dia eu estava assistindo um dos meus cassetes da minha coleção Disney e o John chegou lá em casa. O John era O John. O John falava numa língua impossível de se entender, inglês. Eu o achava tão fascinante, ali, sendo estrangeiro. As conversas que ele tinha com todo mundo precisavam ser traduzidas por um amigo. Ele gostou muito de shuraskol e sempre parecia que estava bêbado. Fascinante. Simplesmente fascinante.

Antes de ir embora ele passou pelo meu quarto e disse: “Aqui está 1 dollar”. Me senti ryca, ryycaa. No dia seguinte vi uma revista estranha na mesa da sala. Era um calendário com fotos do Colorado. Muitas daquelas montanhas rochosas e brancas em paisagens magníficas. Daí minha fixação em ver neve. Tenho certeza que quando eu ver neve eu vou gritar “^^ neve!” e uma hora depois “¬¬ neve.” Mas mesmo assim, será que neva em Lisboa em Fevereiro? Preciso descobrir.

Descobri. Neva. Esse século nevou duas vezes, 1954 e 2006.¬¬ Que merda! Bonner: Daniel, o que vocês espera dessa sua viagem para a Europa? Resposta: Que neve, é claro!

Alguns estão se perguntando: e o Colorado e suas montanhas? Acontece que em 2002 eu tive acesso a internet. Na TV eu via tudo que falavam de bem dos Estados Unidos e de que o sonho de qualquer criança é uma viagem a Disney. Na internet não, na internet eu me apaixonei pela Europa. Muito mais porque eu tinha um namorado online que morava em Piçarras, Santa Catarina e dizia que ia me levar numa viagem de cruzeiro pelas ilhas gregas e que se eu quisesse ir com ele nós podíamos fugir e ir juntos. Ficava horas conversando com ele no ICQ. Hoje eu penso que eu estava sendo ludibriado, daonde! Espero que o João seja um pedófilo muito infeliz em algum lugar do mundo, de preferência em uma cadeia onde ele esteja sendo obrigado a dar o toba depois do almoço. COF. COF.

Daí eu fui pra Toronto, fiquei um mês. Foi legal. E agora Lisboa. Quando que eu quis ir pra Lisboa? Nunca, nunca mesmo. Quando eu entrei na faculdade comecei a fazer curso de francês, porque eu sabia de um amigo do meu primo que tinha ido fazer intercâmbio pela UTFPR, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, em Paris. Achei luxo. Acontece que lá pelo segundo semestre do curso de Francês entrei no site da faculdade e descobri, desse jeito, que meu curso só oferecia bolsas em Lisboa, Portugal /Q. Brochei. Lisboa se fala português, qual é a graça?

E não é que eu me inscrevi pra uma bolsa de estudos de seis meses num Instituto de Artes e Design em Lisboa? E não é que fui aceito? JURO pela santa Lady Gaga que foi sem querer. Há alguns meses atrás eu desistira de Design. Não quero mais brincar, eu disse. Simplesmente de uma hora para a outra Design deixou de ser a minha. Eu gostava, eu gostava muito, é verdade. Mas ah, pra quê faculdade disso? Eu sempre senti que Design me ensinou milhares de coisas interessantes sobre História da Arte, Teoria da Cor, Tecnologia e Sociedade, mas o resto era tudo muito chato. Primeiro, eu não sei desenhar. Daí me disseram que pra ser designer não precisa  saber desenhar. Aham, senta lá Claudia. CLARO QUE PRECISA. De – Si – Gner. De – Senh – Ista. E eu não sei desenhar, e sinceramente tenho até preguiça de tentar pensar em aprender de novo. Parecia que todas as boas idéias que eu tinha eram desentendidas por todos. Até de por mim mesmo, tive até birra de mal compreendido pela sociedade. Design está aí, não é algo que precisa ser inventado. Para mim, todos os designers estão tentando mudar o verdadeiro design que, no fundo, já existe. Eu desisti de Desing quando eu parei pra assistir o documentário Helvetica no Vimeo e um moço idoso disse assim: “A profissão de um médico é curar o mundo de doenças, a profissão de um designer é curar o mundo da feiúra”. Meucu que é. Não é isso que eu quero ser. O que há de tão feio no feio que não possa ser bonito também? Eu sou pró-feio demais para ser entendido por algo tão “belo” quanto o Design e seu mundo com traços milimetricamente traçados. Sorte minha que fui aprovado numa bolsa para um Instituto de ARTES e Design em Lisboa. Claro que quando escolhi as matérias para inscrição dei ênfase no que mais me interessava: fotografia, semiótica, e tals.

Estou tentando fantasiar mais sobre o presente e o passado do que com o futuro. Ainda não me imagino lá, em Lisboa. Claro, estou fazendo por onde, dia-a-dia começo a preparar papéis, pesquisar passagens, autenticar assinaturas, visitar consulados, enviar e-mails, pegar passaportes…

O que é burocrático me desce muito bem, o problema é o que não precisa de carimbos para acontecer. Pensar nas despedidas é que realmente dói. Mês passado nasceu meu primeiro sobrinho, mais: sou padrinho. Sem contar todos os amigos que já tenho aqui em Curitiba, que, vou falar, eu achava que nem davam a mínima para mim. Claro, MEUS AMIGOS, a gente sabe que ser amigo significa considerar alguém tão importante a ponto de se tornar importante para essa pessoa também. Mas é claro que ninguém fica lembrando disso o tempo todo quando nada estar por vir. Quando eu encontrava as amigas toda semana para um almoço de contar as novidades não tinha ainda aquele momento da conversa em que caiamos no assunto Lisboa. A Ana não ficava brava e a Leti não falava que ia sentir muito a minha falta. Agora mudou, recebi e-mails realmente tocantes de amigos que eu “não sabia” que tinha. De amigos que me dizem coisas que nunca tinham dito.

Nessas horas meu pensamento fraqueja, e eu nem sei mais o que dizer. Só sei que preciso fazer com que as coisas aconteçam. Essa viagem significa tanto para mim. PARA MIM. MIM no sentido mais íntimo do EU. Aos poucos a cabeça voltada para fantasias presenciais vai se modificando e eu começo a fantasiar sobre tudo o que está para acontecer. A cada dia a ansiedade parece aumentar um pouquinho, tão pouco que ainda não dá pra ver no gráfico da ansiedade. Mas algo está aí, e algo está aqui também. Bjs.

Leila Geremias

11 11UTC outubro 11UTC 2010

É estranho e bonito como nos conhecemos tão ludicamente, ou seja, a pessoa que nos apresentou nunca existiu: Juzicreydi. Negócio seguinte: Eu, no ápice da minha primeira calourisse, fui zoado pelas veteranas, e cai, cai como um patinho. Era 17:30 no ensino médio quando tudo aconteceu, rápida e lentamente, como eram aquelas nossas viagens de volta pra casa depois de desgastantes cinco horas e meia de aulas gazeadas no Cefetão (a.k.a.  CEFET). Enganaram-me, aquelas vadias. Enquanto eu segurava o riso por ter sido apresentado à uma Juzicreydi, 7 meninas mais inteligentes do que eu se riam por dentro da minha inocência de acreditar que o nome da tal menina era, factualmente, Juzicreydi. Leila ria diferente. Leila sempre riu assim, escândalo-respeitosamente.

Passamos a roleta, descemos do ônibus e subimos em outro de mesma nomenclatura e destino. Naquela época ela era Monte Castelo e eu Daniel na Cova dos Leões, bem, talvez não tenhamos mudado em nada, after all. Seu Anjo da Guarda sempre foi meu Rê Russo e meu Rê Russo sempre foi o Anjo da Guarda dela. Sempre tivemos tanto em comum, eu e Leila. Antes da primeira parada do nosso ônibus, Leila já havia me contado tudo sobre seu Livro da Tribo, sobre sua paixonite aguda pelo menino de olhos azuis, e sobre sua doente avó HighLander. Salvador Dali em diante eu já sabia que amigos para sempre é o que nós iríamos ser.

- Escrevi uma coisinha que me lembrou você.

E a gente não esquece o primeiro poema que nos entregam, passado a limpo, dizendo que lembraram da gente quando o escreveram. Acostume-se. Não consigo encontrá-lo agora, mas ainda me lembro de como aquele “acostume-se” no final e no começo de cada estrofe me trazia a flor da pele toda a minha rebeldia. Era hipócrita aquele poema, e eu o adorava, dizia-me pra não me acostumar com os verbos no imperativo, era juvenil, adolescente e revoltoso. Era lindo. Uma menina me ensinou quase tudo que eu sei.

Uma coisa ficou certa: nossa correnteza não tinha direção. Nem nosso ônibus. Viemos parar aqui em Curitiba quase ao mesmo tempo. E eu nunca esquecerei da ida ao Shipping Curitiba pra ver o Nando Reis. Leila encostou no Nando Reis naquela ocasião, e isso a deixou tão feliz que eu fiquei feliz por ela também. E ela me fazia tão bem, tão bem.

Leila me apresentou meus melhores amigos e eu apresentei meus melhores amigos a ela. Hoje em dia o Orkut ainda acusa nossos 49 amigos em comum. Em Curitiba encenamos o teatro dos vampiros. Foram boas aquelas tardes em que eu telefonava para ela depois de dormir a manhã inteira no cursinho. “To indo praí”. E ela me recebia no seu quarto desarrumado (não ligue a baguncinha) e ali ficávamos conversando sobre mil assuntos, sobre fofocas, sobre amores e desamores. Emprestei a ela livros que ela nunca leu e eu não li ainda aqueles livros que ela me emprestou. Fazíamos pic-nics de quatro no mini quintal do prédio. Passeávamos pelo mercado que nem gente grande. Embebedamos-nos, milhares de vezes e juntos os dois fumamos mais do que mil cigarros juntos. Enlouquecemos e acabou.

“Sei que ela terminou o que eu não comecei, e o que ela descobriu eu aprendi também, eu sei. Ela falou: – Você tem medo. Aí eu disse: – Quem tem medo é você. Falamos o que não devia, nunca ser dito por ninguém. Ela me disse: – Eu não sei mais o que eu sinto por você. Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê.”

Turns out que a única pessoa que eu chamei de mentirosa na minha vida acabou sendo, acima de qualquer suspeita psicológica, a pessoa mais sincera que eu conheço. Ela voltou a me dar preciosos Livros da Tribo e num outro dia a gente se viu e se gostou ainda mais.

Nos últimos tempos e eu e Leila não nos desgrudávamos mais. Ela era meu porto seguro. E era gostoso saber que ela vinha aqui em casa porque se voltasse pra sua própria residência morria de medo de se deprimir, eu gostava de ser o antidepressivo dela. Secretamente, eu sempre misterioso, ela também era o meu antidepressivo. Essa foi a nossa fase mais artística, pintamos quadros de milhões de dólares. Participamos de corridas bastante malucas e fizemos as unhas dos ET’s.

Ao mesmo tempo, nunca havia pesado mais nossas responsabilidades. De repente, e não mais do que de repente, nós queríamos algo da vida. Algo que nem eu nem ela sabíamos direito o que é. Ainda não sabemos direito o que é. Fazer algo novo de novo. Por que esperar se podemos começar tudo de novo agora mesmo? Até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?

E a resposta nos foi surpreendente. Eu cá, ela lá, respondemos juntos: ninguém. Toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor. E o sol nasceu de novo na janela de nossos quartos. Agora freqüentamos quartos diferentes num mesmo espectro. É por isso que eu engulo minhas saudades e aceito que Leila é fera, bicho, anjo e mulher. Leila é dela, só dela, e eu ainda estou confuso, só que agora é diferente: estou tão tranqüilo e tão contente.

E você diz daquele seu jeito:

- Ai, eu preciso de um homem!

E eu digo:

- Ah, Leila, eu também!

E a gente ri.

 

I Love You!

 

Semiose

25 25UTC setembro 25UTC 2010

Queria ser o ginasta,

que vira aplauso,

que vira o palco.

Hoje sou um descalço

que na rua procura

algum encanto falso.

Olha ali se não é o meu tesão virando a esquina,

me deixa na dúvida,

me roça, me culpa.

Ei, me leva aí nesse teu balão,

me leva ser um pontinho

de exclamação!

Hospícios

20 20UTC setembro 20UTC 2010

Caminhei inquieto pelas calçadas, uma sensação gostosa de quando pensamentos vão sendo escritos no ar; em volta de minha cabeça se materializavam palavras e o farfalhar de meus neurônios as misturava numa ordem completamente alucinante.

Havia muito que inquietar-se. Havia uma frase que não conseguia tirar da cabeça. “Dentro de mim mora um hospício.”. Não sabia se aquela frase impregnara em minha cachola porque eu mesmo poderia tê-la dito ou se porque quem o fez era quem o fez e isso a deixou ainda mais… digamos assim: fatal.

- Dentro de mim mora um Cabaret – eu disse imitando passos de Minnelli.

- Dentro de mim mora um hospício – assim, sem pretensões de mudar o dia de ninguém, saiu, entrou e ficou.

E morava mesmo. Naquele momento em que eu era o menino que não precisava de motivos e ele o bode dos bodes tudo o que havia sobrado dentro de nós era o hospício de cada um. Olhei pra ele com um carinho renovado, nem lembro mais que olhar era, mas era completamente diferente de qualquer coisa que já tinha experimentado, incondicional. Então, afinal, talvez ele fosse quem ele é tanto quanto eu era quem eu não era. Não estávamos preparados pra nada daquilo, eu porque não tinha motivos pra acreditar que estava, e ele por que se transfigurara em bode para refletir seu hospício interior.

- Eu quero dançar e ao mesmo tempo não. – ele disse.

Agora eu penso que deveria ter o obrigado a dançar. Agora eu penso que devia ter sussurrado no ouvido dele que ninguém naquela rua além de mim estava pouco se lixando pra ele. Agora eu penso que o agora é um instante traiçoeiro que nos afligirá num instante seguinte ao que sucedeu o instante agora.

Bem antes disso, ou seja, num outro tempo no mesmo espaço, eu disse “eu acho tão bonito esses balões que sobrevoam o céu…”. Nem era tão bonito assim: não estava sol, não estava colorido, não estava nada, eu mesmo não era nada por dentro. Eu queria que fosse lindo, e eu no fundo sabia que ele também queria que fosse ainda mais lindo do que eu queria que fosse lindo. Ele murmurava coisas que não conseguia entender, que não queria entender. Agora eu sei: já tinha entendido. Ele também. Mesmo assim apenas continuamos a velar algo que não parecia importar e que, contudo, no desfecho do dia, era a essência da relação: dentro de mim mora um hospício.

Que vaidade é pecado?

27 27UTC agosto 27UTC 2010

Gastei

Invejei

Comi

Enfureci

Trepei

Cansei

Me vi, vivi

Sonhos meus

14 14UTC agosto 14UTC 2010

conhecer Tarzan

queimar calorias

morder maça

alegria

exalar amor

fidelizar no caminho

existir só belo

ursinho

lamber veneno de rato

desmair

rir do  perigo

masturbar

abraçar o mundo

ver meu corpo nu

comprar carro novo

cupuaçu

catar fruta do pé

examinar a raiz

usar camisa de força

o triz

lambuzar com a morte

satisfazer deus

desmistificar o infinito

sonhos meus

- Daniel Bonfim -

Quero

11 11UTC agosto 11UTC 2010

Da música, canção

Do silêncio, encanto

Do português, correção

Da matemática, quanto

Do amigo, emoção

Da saudade, pranto

Da ciência, solução

Da religião, tanto

De Deus, oração

Do Diabo, balanço

Da vida, indecisão

Da morte, descanso

De mim, compreensão

E

de

você,

nada

- Daniel Bonfim -

Na loja

9 09UTC agosto 09UTC 2010

Um pouco de Poulain

Raul por ele mesmo

Alguns contos de Sherlock

E algo que inspiraria Stanley

.

Amelie é pra reconhecer a alegria quando a vir

Seixas, como só ele, surgiu, algo mágico

Holmes é um mistério, uma isca de leitura, elementar

Kubrick foi a primeira coisa que você me disse

Dívidas

9 09UTC agosto 09UTC 2010

É, eu sei que tenho andado meio distante, afastado, em júpiter. Mas quais serão os longos caminhos que nos levam a felicidade? Não sei. Já desisti de aprender. Minto. Já desisti de procurar. Agora penso que pra ser feliz não é preciso muito mais do que deixar de ser triste, o que, de repente, é fácil. Prefiro não deixar meu pensamento vagar. Não me preocupo mais. Minto. Não me sufoco. Preocupo-me sim, com outras coisas, coisas diferentes.

Hoje é domingo, e amanhã lá vou eu para mais um período da faculdade, sei que meus pensamentos até uns dias atrás consistiam em fugir para a África do Sul, porém me sinto tranquilo em dizer que isso me pareceu egoísta. Egoísta até de mim. Dizia: quero me encontrar. Bem, agora eu sei que não preciso ir lá longe para fazer isso, estou bem aqui. Me revelei aqui, e isto é incrível. Meu novo objetivo então é descobrir: quem sou eu? Suponho que ainda haja tempo para responder essa pergunta, a primeira lição que aflige o caos é a paciência.

“Eu me dou muitos bons conselhos, mas muito raramente os sigo” Alice, na obra de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas. Alice tem sido minha musa esses dias, enfim. Esse deve ser o segredo por trás dos conselhos. O importante não é segui-los, mas sim dá-los e recebê-los, de si para si. Ora, e não é bem isso a reflexão? Ah, como é preciso refletir!

E se eu fosse me dar conselhos hoje? Quais seriam? Começar uma academia é uma coisa, cortar meu cabelo jubento já é outra coisa. O que realmente preciso é voltar a passar aqueles cremezinhos especiais anti-acne todas as noites. Na lista de coisas que demoram pra acontecer, estes conselhos estéticos só ficam atrás dos conselhos médicos. Não vou parar de fumar, não vou, não quero, não vou. Na verdade, até acenderei um cigarro, bem agora, me ajuda a refletir. Acompanhe-me quem puder.

Preciso ler mais, isto é certo. Dias atrás eu e Morgana discutíamos sobre certezas, discutimos que é preciso ter certezas na vida, que é importante isso de definir diretrizes. Ao final de mais uma de nossas discussões filosóficas fomos parar num lugar incerto em que ambos não tínhamos mais certeza de nada. Só descobrimos que era importante mesmo, ter certezas. Agora, refletindo, tenho certeza de uma coisa: preciso ler mais, isto é certo.

É engraçado como uma certeza puxa outra, porque preciso também escrever mais. Devo aprender a fazê-lo.

Devo me matricular no yoga, devo ficar menos horas na internet, devo acordar cedo todos os dias, devo praticar algum esporte, devo voltar às classes de francês, devo ligar para minha mãe todos os dias, devo re-estocar minha geladeira com produtos lights, devo aprender receitas novas, devo ver mais filmes, devo te ver de novo, devo me dedicar mais na faculdade, devo parar agora. Devo, não nego, pago quando puder.


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